vida

A Parcialidade Imparcial

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Em 2000, minha avó perdeu o único filho homem que teve, aquele que nunca saiu do lado dela e que sempre a tratou como rainha.

Para minimizar sua dor, ela, uma costureira de mão cheia, começou a pegar pequenos consertos de roupa da vizinhança.

Ela tinha se mudado há bem pouco tempo para um apartamento, depois de viver a vida toda em uma casa.

A dor da perda do filho e o cerceamento do tamanho da casa, condição imposta também pela sua saúde debilitada, que não mais aguentava cuidar de uma casa tão grande, faziam da costura, sua distração e ocupação.

Por conta disso, ela ganhou, nem lembro de quem, uma plaquinha super simpática de madeira, como um quadro escrito: Pequenos consertos e costura. Maria. E o telefone dela.

A plaquinha ficava na parede da varanda, ela morava no primeiro andar. Era como um quadrinho mesmo.

Um certo dia, um morador, uma truculência que faz inveja até para um viking, adentrou à casa de minha avó e arrancou-lhe o quadro da parede da varanda. Alegou que era a fachada do prédio e que não era permitido.

Minha tia, quando chegou, encontrou minha avó chorando …

Corta para 2022. Praticamente os mesmos moradores no prédio.

Uma bandeira, estilo toalha do candidato vermelho, com pregadores na tela da varanda, oficializando o voto.

Liguei para as mesmas pessoas que arrancaram a placa da minha avó há 20 anos e os mesmos, com desculpas estapafúrdias, disseram que realmente na tela não pode, mas na parede da varanda podia, afinal, era a casa da pessoa. Ué, mas minha avó não podia por ser fachada, a mesma fachada da toalha vermelha, só que um andar a menos!

É assim, está sendo assim, quando há menos inserções em rádios, onde há a censura de canais de direita, quando há a proibição de vistoria e apreensão de dinheiro para compra de votos.

É a parcialidade imparcial, é o aparelhamento doentio do sistema.

Eu hoje choro o mesmo choro da minha avó quando foi-lhe arrancada a placa do seu trabalho!

É um choro de tristeza, de censura, de frustração e de medo.

Arrancaram a placa da minha avó, arrancaram a minha placa, arrancaram a nossa placa que estava escrito LIBERDADE!

6 meses

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6 meses!

O relacionamento mais longo que tive desde que me separei e nem é um relacionamento…

6 meses que talvez tenha me perdido de mim. Ou quem sabe eu tenha me achado…

O fato é que o pouco que ele me oferece, se torna muito, a medida que para quem nada tem, metade é o dobro.

Uma história sem lastro, sem fotos, sem testemunha…

Uma dor moral de me aterroriza, um sentimento que me domina e um exercício constante de desprendimento afetivo.

Não sei.

Não sei se é certo ou errado. Não sei se vale ou não manter.

O fato é que ele me faz bem, mesmo me fazendo mal.

Eu penso muito que o amor que eu tenho dentro de mim é tão grande que é um desperdício gastar podendo dar tão pouco.

Ontem falamos sobre nos afastarmos de tudo o que não nos faz bem, de tudo o que não nos faz feliz.

6 meses, 180 dias, meio ano … o pouco que parece muito.

Não sei o que vai ser, sei o que preciso sentir. Não me é suficiente, mas me é o necessário no momento em que não me sinto só e tenho com quem compartilhar meus medos, anseios e situações do meu dia a dia nada fácil.

Que a vida me dê muito mais amor para eu poder Amar.

❤️

Luke – 1 Ano do NOSSO Resgate

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Há 12 meses eu o encontrei. Talvez o certo seria eu dizer que ele me achou.

Até hoje eu penso ter sido uma loucura trazer um terceiro labrador para uma casa com 2 outras que viviam em guerra. A trilogia completa.

Racionalmente essa decisão é certamente a mais louca que eu já tomei. Emocionalmente é também a mais assertiva.

Muitas vezes você resgata, outras vezes, quem é resgatado é você. No caso do Luke e eu, acho que nos resgatamos mutuamente.

Não sei onde ele viveu, como, o que passou e nem ao menos a idade precisa dele. Se foi abandonado ou se estava perdido. Se suas cicatrizes foram de farra ou dor… Será que já teve dono?

Sei que a cada olhar de medo quando um rojão explodia, ou uma buzina de moto estridente ou alguém que gritasse na rua… esse olhar de medo encontrava no meu colo calma, cuidado e proteção.

Da mesma forma que encontro no cuidado dele em se deitar em cima de mim, em segurar minhas mãos junto pata dele, em chorar quando tiro a mão dele, em ficar grudado para ver tv comigo, em estar comigo o tempo todo, parecendo tentar compensar algo quando me sinto sozinha.

É… foi um resgate mútuo, com certeza!

Minha casa ficou mais barulhenta, (mais!!!) cheia de pelos, “com cheiro de cachorro”, mais bagunçada… e também muito mais colorida!

Volta e meia eu escuto que um dos grandes motivos de eu ainda estar sozinha (mesmo sendo essa pessoa incrível, linda e perfeita que sou, diga-se de passagem) é porque enchi a casa de cachorro e as pessoas tem nojo. Ahhh, vamos lá… a frase certa é: eu enchi minha casa de amor, e as pessoas têm muito medo de amar!

Eu continuo com esse amor, se não carnal, com certeza verdadeiro, que não rouba, não trai, não engana, não me deixa só…

Luke, obrigada por me encontrar e me resgatar do abismo que eu ainda tinha dentro de mim. 🤎

Feliz um ano de felicidade do meu lado!

Feliz um ano de vida!

Feliz um ano de resgate!

Engatilhada

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Gatilho é uma parada foda para quem tem ansiedade. Uma única palavra, gesto ou até mesmo situação pode trazer à tona um processo de colisão emocional.

Eu particularmente experimentei essa sensação ontem.

Analisando todo o meu histórico, o gatilho veio num copo prestes a transbordar por uma situação que já não me deixa nada confortável, dentro de um cenário colapsado de vida.

Pronto! Bomba atômica implodida dentro de mim.

A ansiedade mexe com tudo. Coração acelera, fome descontrola, sono fica maluco, cabeça dói, tudo machuca muito mais que normalmente.

Estou no meio desta rota de colisão neste momento.

A frase vem num momento em que sofro da síndrome do ninho vazio. Onde meus cachorros são minha única companhia a maior parte do tempo.

Sentimentos de insatisfação financeira e sentimental completam o quadro caótico. Boom!

A frase inocente, vinda de alguém não tão inocente assim, reverberou em todas as células do meu corpo, me transformando em um veneno para mim.

Estou destilando esse veneno na madrugada sombria que insiste em não terminar.

A cabeça dói, parece explodir. Sinto meu coração bater tão alto que talvez esse som seja o responsável por aumentar a dor que eu sinto.

Que luta interna!

A cabeça, ao mesmo tempo que dói, não dá trégua de tentar jogar mais urânio nesta bomba atômica. É incontrolável.

Por que somos colocados nesta situação por nossa mente? Ela nos aprisiona dentro de labirintos malignos!

Quero sair mas não tenho força (por hoje ao menos).

A solidão é dura! Silenciosa e cruel, fomentando com o barulho do silêncio, o grito da verdade maquiada por esse mola elíptica interna.

Me tire de dentro de mim!

Quero sair e já não encontro o caminho para fora de mim…

Estou engatilhada, a bala no pente da mente, o grito ensurdecendo minha alma, a vida esvaziando de mim…

Era o som de quê?

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Eu poderia dizer que o som foi de alarme, para que eu acordasse para mim. Mas também foi o som da despedida, silenciosa e fria…

Nada falei, no fundo eu sabia. Aquele toque de telefone seria o verdadeiro chamado. O chamado da minha consciência.

Não, não preciso, não mereço e não quero ser algo pela metade.

Não preciso, não mereço e não quero nada menos do que acredito pertencer a mim. Só a mim.

Ia ser sempre assim. Desequilibrado e sofrido.

Mas o amor é equilíbrio!

Sem equilíbrio tudo cai.

Caiu.

Caiu de vez!

Dói agora para não doer sempre.

O toque foi de recolher. De me recolher para muito tempo depois poder colher… me colher dentro de mim!

Fim

Texto de Desconexão

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Não que precise, eu sei que não. Talvez se precisasse fosse melhor falar e não escrever. Mas sou aquelas que as palavras escritas fluem muito melhor que as faladas…

É clichê, mas não é você! Sou eu! Não foi promessa não cumprida ou algo que eu não soubesse antes de me envolver. O fato foi que me envolvi mais do que deveria e até mesmo planejava …

O plano era muito bom. Não me envolver para não me ferir. E alguém que não possa se envolver era o match perfeito para que tudo desse certo… se não fosse um detalhe: eu me apegar.

Ao mesmo tempo que me apego, eu me questiono: será que mereço e preciso ficar numa situação de ser o “tempo que sobra”?

A medida que entro nesta dialética, me sinto mais e mais sozinha. Saudosa de viver o que não vivi. Distribuir o que melhor tenho dentro de mim…

Eu sempre falo que é muito difícil que um vendedor de capim entregue rosas. Ao mesmo tempo que quem vende rosas não consegue entregar capim. Não consigo entregar algo diferente da minha essência.

Gosto de atenção, de carinho, de dormir de conchinha, de cuidar, de acordar de manhã de chamego, decidir almoçar num lugar especial ou simplesmente ficar o dia td na cama fazendo absolutamente nada… De passear, de dançar, de curtir… gosto de me preocupar se está bem, de fazer bem e ter isso também…

Não consigo ser pela metade. Me oprime, me reprime e sufoca.

É na intensidade dos meus sentimentos que permeia o meu equilíbrio.

Não precisaria, mas eu quero… quero dizer que foi bom, que foi gostoso. Mas suscitou algo que não gostei de ver em mim.

“Quero a sorte de um amor tranquilo…”

Obrigada! Obrigada pelo tempo, pelas ligações diárias, pelo carinho e até mesmo cuidado, obrigada por ter vindo subir minha mala quando cheguei de viagem… o pouco foi muito e me sinto muito muito muito feliz de ter te conhecido melhor. O suficiente para julgar o quanto você merece ser feliz…

Fique bem e se cuide!

Com muito carinho ❤️

Ps.: para que eu não me esqueça de me lembrar jamais! ❤️

Que seja infinito enquanto dure… o meu interesse!

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“O nosso casamento durará enquanto o nosso jogo de interesses estiver sendo alimentado!”

Ouvi isso aos 19 anos do meu então marido. Me soou absolutamente duro e muito grosseiro. Como assim? Eu não me achava interesseira!

Hoje, no amadurecimento adquirido com meus mais de 40 anos, concordo e inclusive dissemino esse pensamento para que ele seja compreendido de uma forma mais, digamos, lúdica.

Relacionamentos são jogos de interesse sim. Não no sentido de tomar vantagens ou ser interesseira e sim de partilhar interesses em comum, de estar perto, de trocar, de evoluir… são vários tipos de interesse.

Esse interesse transcende a linha dos relacionamentos pessoais, inclusive.

O jogo de interesses é alimentado em relações trabalhistas, acordos societários, assim como em casamentos e amizade. Tudo é uma questão de interesse!

O que nos aproxima serão sempre os interesses comuns.

Quando os interesses começam a se afastar de seus pontos de convergência, é natural que haja também o afastamento destas relações.

Ficamos num emprego ou com um empregado, numa sociedade, nutrimos uma amizade ou um relacionamento afetivo enquanto durarem esses pontos em comum, enquanto for interessante para ambas partes!

Aliás, continuar em algo que não te faça bem, é se ferir!

Não é interessante estar num lugar ou com pessoas que você não tenha um mínimo interesse. É entediante, frustrante, desmotivante!

Deixar ir o que não faz mais parte do seu mapa de interesses, só fará com que você esteja livre para encontrar algo que tenha muito mais a ver com você!

Deixe fluir, opostos não se atraem. Opostos dão choque!

Atraia para perto de si, energias similares à sua, ao menos complementares. Mantenha a chama acesa! Precisamos estar sempre apaixonados pelo que fazemos e com quem nos relacionamos.

Portanto, não se permita nutrir aquilo que não mais te gera interesse, prazer e crescimento!

Rompa esse ciclo vicioso e se interesse por você, por viver!

Ela…

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Ela descobriu o que quer.

Ela se provou, entendeu seus limites e percebeu que eles absolutamente não existem para ela, que sabe onde quer chegar.

Experimentou a dor silenciosa e a reconstrução milagrosa por várias e várias vezes.

Se reinventou tanto que já nem lembra como era na sua versão original. Talvez, se lembrasse, não acreditaria o quanto evoluiu.

Ela não quer quem a complete, ela absolutamente já se mostrou várias e várias vezes que é inteira e autossuficiente para si.

Ela quer alguém que some, que adube mais ainda seus sonhos. Melhor ainda, que sonhe junto e seja uma mão a mais na construção desta estrada.

Muitos pensam que a felicidade é chegar no destino final, ela já entendeu que a felicidade é caminhar com quem a faz bem.

Enquanto isso não é possível, ela segue os passos, o ritmo e o caminho da vida, certa de que esta poderia ser muito mais florida.

Aos meus matches (perfeitos ou não);

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Olá!

Tentando fugir um pouco do “oi, Td bem, fala de onde?”, elaborei essa carta de apresentação.

“Mas carta de apresentação é tão formal, parece até que estamos contratando para uma empresa?”

Será que não é isso!? Porém, estamos, mesmo sem expectativas, num processo de garimpo de match perfeito, buscando alguém que vá preencher algo na empresa mais importante da nossa vida, a nossa vida.LTDA.

Então, amo escrever, uso a escrita como terapia e como a forma mais completa de me expressar.

Não fique pensando que sou chata não! Pelo contrário! Dificilmente você vai encontrar uma pessoa tão legal como eu, buscando on-line ou off-line… aliás, legal, divertida, engraçada, carinhosa, atenciosa e parceira!

E por que estou sozinha?

Algumas sessões de autohipnose depois, eu fui capaz de entender.

Isso se chama autoconhecimento.

Me conheço muito bem, aprendi a amar a minha companhia, me basto para quase tudo. A pessoa que está do meu lado precisa ser realmente incrível. Se você for essa pessoa algum dia, sinta-se prestigiado. Este rol é seletíssimo.

Sei o que quero e minha objetividade ajuda a definir os rumos dos meus relacionamentos.

Posso garantir, que no namoro ou na amizade, me ter por perto é sempre bom!

Sim, minha autoestima é bem elevada. Rsrsrs

Tive dois casamentos longos, do primeiro tive 2 filhos, que hoje têm 21 e 17 anos. A de 17 ainda mora comigo, junto com meus 3 labradores. Estou há 4 anos separada do segundo casamento.

Não gosto de baladas, mas amo um barzinho com música ao vivo, se for rock, mpb ou samba de raiz então… 😍

Não bebo cerveja, sou dos drinks e do vinho, muitas vezes fico na coca zero mesmo para ser a motorista da rodada.

Faço a melhor pipoca doce do universo. Mas não se iluda, meus dotes culinários não vão muito além disso.

Sempre fui a menina nerd da sala. Ainda tenho algumas características muito geeks.

Amo estudar, se existe qualquer assunto que me suscite a curiosidade, vou me aprofundando.

Tenho uma inquietude por aprender e conhecer coisas novas.

Amo viajar, malho para manter a saúde mental e física, minha vida está sempre com trilha musical e dou muito valor a quem me traga leveza e sorrisos frouxos.

Sou sapiossexual, mas obviamente, os feromônios precisam estar satisfeitos para que a química possa existir.

Outro detalhe, tenho 1,70m, prefiro um par mais alto que eu. Bobagem estética ou não, é um detalhe que faz muita diferença para mim.

Um relacionamento é composto por 4 pilates, uma base e uma laje: equilíbrio , sexo, respeito e admiração como pilares de sustentação, a base sendo o amor e a laje o diálogo. Se algum destes elementos faltar, a casa não se sustenta.

Ufa… tenho muito mais coisas legais sobre mim, mas vou deixar você decidir se vale a pena descobrir ou não…

Envie seu curriculum e comprovante de antecedentes criminais para meu e-mail…. kkkkk… brincadeira!

Será que você é o meu match perfeito?

Medo de Amar

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Gato escaldado tem medo de água fria!

E como tem!!!!

E aí, de repente, do nada… você, que achava que nada mais poderia te levar para aquele caminho tortuoso do amor, se vê num processo redemoínico de paixão, cumplicidade, cuidado, carinho, vontade de estar junto…

Eita porra!

Mas logo eu que racionalizo tudo?!

Que jurei que não mais seria mordida por esse bichinho…

Medo!

Medo de amar é um dos medos mais complexos que existem.

Como podemos temer algo que pode nos fazer bem?

E se não fizer?

A nossa experiência pregressa nos forma calos, calos dolorosos e que talvez nunca deixem de doer. Pozé… alguns não deixarão de existir jamais!

Mas, quanto tempo devo esperar? Será que gostar tem tempo certo?

E os julgamentos: cuidado, tá muito rápido, muito intenso, muito cedo… cuidado…

Essa montanha russa de sentimentos, hoje quero muito, amanhã, preciso me resguardar, não nos faz bem. A bipolaridade relacional!

É como uma dança descompassada. Quem pisar no pé primeiro não tá se entregando de verdade!

Mas será que devo?

O amor machuca. Fere a alma! Nos faz experimentar sentimentos de morte. A cada amor fracassado, uma morte.

Mas, acreditemos! O amor constrói! Constrói muito mais do que destrói!

Como você saberá se é a sua verdadeira chance de amar, de você não se deixar amar!

Lembre do poeta: “saber amar é saber deixar alguém te amar! “

O saber amar é se deixar ser cuidado, curado!

Tenho medo…

Medo de amar!

Mas aí lembro:

Quando um certo alguém, desperta os sentimentos, é melhor não resistir e SE ENTREGAR!