Relacionamento Abusivo, a História Real de João e Maria

Postado em Atualizado em

João tinha 25 quando conheceu Maria com 18 anos.

Ela passou a adolescência inteira sendo rechaçada pelos meninos, que a chamavam de gorda, já que o padrão da época era a Barbie magra e ela era o tipo gordinha nerd. Se acostumou com o interesse dos meninos apenas por conta das provas e trabalhos escolares.

Resultado: beijou pouquíssimos meninos e nunca namorou!

De repente, aos 18, um homem chega do nada, aparece correndo atrás dela na rua. Diz que ela é linda, que já a nota há algumas semanas e que queria uma chance para a conhecer melhor.

Pronto!

A presa caiu nas garras do lobo mau!

De alguma forma, o abusivo, assim como a metáfora do lobo mau, tem um nariz enorme para ter um faro melhor!

Ele sente o cheiro da fragilidade, da vulnerabilidade, do sofrimento e da solidão e age exatamente nesta lacuna de carência.

O princípio é sempre o mesmo:  Preencher esse vazio com todo o carinho que ele puder dar.  Flores, ligações, surpresas, presentes inesperados, ir buscar em trabalho…

Voltemos a Maria…

Maria, foi coberta de atenção, carinho, elogios. João ligava 10 vezes por dia para lhe dizer o quanto a amava, o quanto ela era importante para ele.

Maria não demorou para estar absolutamente envolvida. Se entregou de corpo e alma.

Nem os pais dela e nem os dele queriam essa união. Os dela sentiam que ele não era flor que se cheirasse. Não tinha emprego fixo, falava desrespeitosamente com todo mundo, era grosseiro. Mas Maria não via nada disso. Lógico que ela só via as virtudes, o quanto ele era atencioso com ela, como nenhum outro fora anteriormente.

Aos poucos, Maria foi ficando doente, com muito ciúme porque percebia que João não podia ver mulher na rua. Era afrontoso. Ele olhava da cabeça aos pés e só faltava quebrar o pescoço para olhar a bunda.  Ridículo. Mas ao invés de Maria largar aquele estorvo, acabou acreditando que o problema era ela, que ela que era doente.  Ele fez ela acreditar que ela estava enxergando chifre em cabeça de gato.

Quando a terapeuta a fazia enxergar a verdade, João logo questionava a psicóloga e dava um jeito dela trocar de terapeuta. João fez Maria largar a profissão que tinha escolhido para trabalhar com ele numa empresa de fundo de quintal que tinha criado, que não tinha absolutamente nada a ver com a carreira dela.

Maria não podia mais ter amigos, não podia sair. Era estar com ele o dia todo até a noite.

Numa loucura insana resolveram se casar. Os dois desempregados, a empresa havia quebrado. A mãe de Maria tinha um apartamento vago, o pai de João tinha um inquilino que devia aluguéis e podia pagar em móveis. Pronto, casa montada!

Casaram! Com ajuda de todos, mesmo dos que não apoiavam! Uma verdadeira loucura.

A compra de mês foi feita com o dinheiro da gravata do noivo. Lua de mel????? Kkkkkk  Nem pensar!

3 semanas após o casamento, já sem dinheiro para comer ou pagar qq conta, cogitando cada um voltar para sua casa até conseguirem empregos, um “milagre” aconteceu. Um anúncio de emprego no jornal (essa história tem mais de 20 anos e empregos eram publicados em jornais), segunda os dois foram para entrevistas (já que os dois anúncios eram de comparecimento). Os dois foram aprovados no mesmo dia e começaram apenas dois dias depois, com direito a adiantamento de ajuda de custo.

A loucura da vida de Maria era engravidar. 7 meses após o casamento, ela já estava grávida. A gravidez acabou sendo de risco. A vida dela no trabalho virou um inferno.

Logo após o nascimento do primeiro filho, bem a contra gosto de João, Maria foi fazer outra faculdade. Ele fez de Td para ela desistir. Ela começou a ter muito sucesso na carreira. Era chamada para entrevistas, jornais, revistas, eventos. O ciúme dele começou a ficar incontrolável.

Maria teve uma estafa, o casamento era só brigas e confusões, mas nesse meio termo ela descobriu que havia engravidado numa das poucas vezes que tinham transado, ela nem tomava mais anticoncepcional pq era tão raro acontecer, eles transaram com ela menstruada. Não era para ter risco algum!

O que já era um inferno, foi ficando cada vez pior, mais violento, mais grosseiro, mais humilhante, até que ele bateu nela grávida. Naquele momento ela teve a certeza!

Tentou se separar, mesmo naquele estágio, com talvez 4/5 meses de gravidez. Ele sequestrou o filho deles, ameaçou, fez chantagem e Maria raciocinou. Como poderia dar conta de 2 crianças sem trabalho fixo ? Preferiu esperar e se planejar.

Logo que a criança nasceu, ela teve depressão pós-parto. Normal para tudo o que havia acontecido.

Um mês e meio depois, ela foi chamada para um trabalho fixo e precisaria viajar por um mês para fazer imersão no produto.

Foi um presente. Tirar do foco das dores que sentia. Deixou as crianças com a mãe dela e foi embora ganhar o mundo.

Voltou decida a fazer uma terceira faculdade. Descobrira talvez a sua vocação verdadeira.

Os xingamentos, as humilhações e todos os processos de reforço negativos que ele fazia absolutamente todos os dias passaram a ser ignorados:

_ Nunca ninguém vai te amar além de mim.

_ Você não é o tipo de mulher que homem gosta, é muito grande, pouco delicada, até pouco feminina.

_ Você nunca vai encontrar alguém como eu.

_ Se você se separar de mim, você não dará conta das crianças.

_ Eu só estou contigo por conta da nossa dívida espiritual, por isso que vc nunca teve ngm além de mim. Ninguém nunca te quis nem vai te querer.

_ Você é só cérebro. Fora isso, atrativo zero para homens que não veem a pessoa espiritual que você é.

_ Nem para dona de casa você serve!

E assim eram os dias de Maria…

A faculdade acabou sendo um escapismo, chegava em casa tarde, cheia de sono, dormia e no dia seguinte acordava bem cedo para cuidar dos meninos para por na escola.

Nesse meio tempo, ela ganhou um dinheiro, começou a ter um bom salário. Ele não parava em emprego algum por mais de 4 meses. Ela acabou comprando casa, carros novos e estruturando a vida.

Mas mesmo assim, ele a humilhava em todos os lugares que iam.  Em festas, no condomínio onde moravam, gritava com ela na frente de quem quer que fosse e inclusive a deixava mal perante seus colegas de trabalho.

No dia em que ela se formou na terceira faculdade, apesar de implorar que não, ela foi estuprada por ele com bastante violência, dizendo que “ela o tinha provocado a noite toda dançando com as amigas e que por isso merecia receber o que havia pedido tanto”.

Era o que faltava para dar o check mate!

Acabou?

Lógico que não!  O relacionamento abusivo não acaba fácil, nada é tão simples!

Ela o avisou, deu prazo para sair da casa, ele correu atrás dela com faca, tentou socar, matar, ameaçava por telefone, SMS. Os vizinhos chamaram a polícia.  Ela conseguiu fugir com as crianças no meio da madrugada sem que ele visse.  Ela entrou com petição junto ao juiz que deu prazo para ele sair de casa. Enquanto isso ela passou os 7 dias de prazo na casa da mãe dela.  Um verdadeiro pesadelo.

Foram tempos difíceis, ele ainda entrou com 8 processos judiciais, levou os 2 carros, todo o dinheiro da poupança e só deixou a dívida da casa.  Ameaçava de todas as formas e maneiras.  

Maria foi forte. Mas precisou de tempo, estratégia e por sorte, conseguiu sair viva dessa.

Mas quantas Marias e Joãos não existem por aí com finais mais trágicos? Quantas Marias estão presas em relacionamentos abusivos,

  1. porque não despertaram,
  2. por falta de coragem e medo, 
  3. por ameaças,
  4. por conta de seus filhos,
  5. por falta de independência mesmo?

Maria demorou quase 4 anos para se estruturar financeiramente para isso. Talvez pudesse ter feito um pouco antes, mas às vezes a gente acaba adiando decisões difíceis com medo do desconhecido.  

Sair da zona de conforto pode até parecer desconfortável, mas permanecer nela é atrofiante.

Mova-se!

Ps.: Se engana quem pensa que relacionamento abusivo é somente entre casais.  O relacionamento abusivo pode ocorrer em relações de pais e filhos, amigos e até (e principalmente) em relações de patrões e empregados. Neste primeiro post trouxemos um caso real de um casal, mas falaremos de outros timos de relacionamentos abusivos em outros posts.

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3 comentários em “Relacionamento Abusivo, a História Real de João e Maria

    petruskaperrut disse:
    12/02/2020 às 2:49 am

    💔❣💪🏻🙏🏻

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    Miriam c. disse:
    04/08/2020 às 5:03 pm

    Eu tinha um relacionamento abusivo,ele me umilhava muito emagoava com palavras, depois pedia desculpas e eu aceitava sempre dizendo que ia embora eu dizia pode ir.ele foi em embora pra mãe dele . sempre dizia que me amava , só que agora não consigo ficar sem ele .oq faço me ajude não quero ir atrás dele tou com medo

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      Luciana Telles respondido:
      04/08/2020 às 6:47 pm

      Sabe, não é fácil! Mas o primeiro passo já foi dado. Agora começa o trabalho da sua força interior. Agarre-se na sua fé! Entenda que vc merece mais! Liberte-se da âncora da sua vida! Eu te dou toda a certeza do mundo que você vai se sentir muito muito muito feliz!

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