Mês: maio 2018

Transtorno de Ansiedade Generalizada

Postado em

Estou há semanas pensando em o que escrever. Muitas ideias iam e vinham, mas nada que me concluísse o raciocínio ou que eu considerasse pertinente escrever. Resolvi fazer um desabafo sobre algo que vem me aterrorizando. Talvez isso me ajude, talvez ajude a outras pessoas…

Desde que comecei a escrever esse BLOG, tenho na mente que “One is better than Zero”. Ou seja, se, com meus relatos, eu conseguir ajudar a 1 pessoa, já foi maravilhoso, muito melhor do que não ajudar ninguém.

Esse texto talvez saia um pouco da minha linha mais leve, o assunto não é leve. É pesado, principalmente para quem sente.

Há pouco mais de 2 meses venho sofrendo uma crise de ansiedade aguda, aquela merda que os médicos chamam de Transtorno de Ansiedade Generalizada. Para começar, perdi o sono. Isso já abala minhas estruturas. Voltei a roer a unha (até sangrar), tive episódios de esquecimento, tristeza profunda, falta de concentração, apatia, pensamentos pessimistas e até mesmo surreais. Perdi completamente a vontade de fazer as coisas, até mesmo malhar, coisa que sempre me deu muito prazer. Parei até de olhar o Tinder e o Happn! Perdi a graça de tudo. Viajei com meus filhos para Balneário Camboriú e tudo o que eu queria era voltar para casa, mas não podia deixar transparecer para eles. Mas meu coração ardia e sangrava por dentro. Não conseguia sentir prazer em nada.

Pois é…A ansiedade e a depressão são paradas escrotas mesmo. Se a gente não está muito atenta, acaba fazendo merda.

Eu sempre me considerei muito concentrada com relação a isso, até porque tenho pânico de entrar numa areia movediça e não mais sair (é assim que eu vejo a depressão). Em outro post eu já contei que perdi uma amiga para a depressão (Julgamento e Culpa). Não quero isso para ninguém próximo, muito menos para mim.

Em 2012 passei por uma mudança muito foda, saí do Rio de Janeiro para entrar numa aventura em Recife. Me mudei de mala, cuia, meninos para “empreender”. Tudo saiu muito errado e eu percebi isso logo nos primeiros meses. Sofri em silêncio. 5 meses depois da mudança eu comecei a sentir as consequências no meu corpo. Comecei a desmaiar na rua, apagar mesmo. Tinha um “bolo” na minha garganta que me deixava enjoada o dia todo e principalmente, uma tristeza sem fim, costas e pescoço com travamento muscular e as unhas, ah… as unhas eram cabecinhas de cobra sem dentes. Acabei sendo diagnosticada com TAG (transtorno de ansiedade generalizada) e sofri durante 2 meses para sair deste imbróglio.

Então, devido a minha experiência pregressa, foi fácil identificar que estava entrando de novo nesta armadilha.

É estranho e até mesmo dá muita culpa entrar em crise de depressão e olhar para a minha vida e ver que, apesar de não ser um mar de rosas, não há nada que esteja absolutamente fora de controle. Isso dá uma culpa imensa e até mesmo piora o meu estado emocional. Cara, palhaçada do caralho eu ficar assim! Fala sério!

Resolvi marcar médico para tentar entender. Óbvio que ele disse o que eu já imaginava: TAG novamente.

Tomar remédio para mim é dar atestado de doido, mas mesmo assim ele me convenceu que seria transitório e que me ajudaria. Aceitei por no máximo 2 meses.  Afinal, eu tenho a roupa de mulher maravilha em casa e consigo me defender sozinha…

Já estou tomando há 3 semanas. Algumas coisas estão bemmmmmm lentamente mudando, outras nem tanto.

O que mais me incomoda é o fato de eu não conseguir dormir. Isso me tira do sério. Estou há dias sem conseguir tirar uma noite de sono normal. Só com ajuda extra. Ajudas medicamentosas que o médico não receitou, mas que o desespero de 10 dias seguidos sem dormir me fizeram usar. (Eu confesso!)

Mas, nem tudo é ruim … A gente acaba percebendo que existem anjos que são enviados por Deus para nos ajudar em uns momentos muito punks, que nossos pensamentos estão tão longe que parecem que não vão mais voltar. Mas, por uma mão angelical eles voltam. Talvez até por milagre… Cara… Como esses anjos estão surgindo milagrosamente na minha vida.  Gratidão!  Não sei o que poderia ter acontecido sem eles na minha vida.

Sim, me sinto mal. Tem dias que estou mais animada que outros. Tem dias que eu não consigo entender valor na vida, que não tenho ânimo para continuar. Os fins de semana estão sendo trash total. Mas, cara! Não tenho motivos para isso!!! Não faz sentido.

E como mudar? Ainda não sei. A música me ajuda muito. Sempre gostei de ler, mas devido a falta de concentração do meu momento, isso não tem sido possível. To focando em música, filmes água com açúcar, videos de comédia, culinária (não, eu não sei nem quero aprender a cozinhar, é só para esvaziar a cabeça mesmo). Trabalhar, que aliás é o meu maior escapismo atualmente, me forço a isso, é um fórceps diário levantar da cama, fazer todas as tarefas do dia, mas no decorrer do dia, a cabeça cheia de tarefas e de entregas, não pensa em merda. E olha que minha cabeça tem sido um intestino para produzir tanta merda ultimamente.

Essa semana, depois de 4 semanas sem malhar, já consegui fazer a minha série ontem e hoje. Já é uma puta evolução. To aqui escrevendo, forçando a concentração, vencendo o apatismo… Outra evolução!

Mas e o sono????? Até durmo cedo. Mas acordo 2 horas depois e não durmo mais. Isso tem que mudar. Acho que to precisando trepar. (isso foi só para rimar) Ah, foda-se, vai ver que é isso mesmo…

ou não…

Excesso de culpa…

Anúncios

Julgamento e Culpa

Postado em Atualizado em

Hoje me lembrei muito de uma amiga muito querida. Nunca nos vimos pessoalmente, mas nos falávamos diariamente durante quase 2 anos. Era engraçado, pois ela trabalhou nos mesmos lugares que eu, em épocas diferentes. Ouvia falar de mim, até que me substituiu diretamente em uma função num Banco. Por tanto que meus pares falavam de mim e pelo legado de coisas que eu tinha deixado, um dia ela me adicionou na rede social. Queria inicialmente trocar experiências profissionais, mas começou naquele dia uma amizade virtual super forte, muito além do que imaginávamos.

Nestes dois anos que nossa amizade durou, ela passou por vários problemas, um atrás do outro. Primeiro foi a separação dela, em seguida o irmão, que era do BOPE, foi assassinado numa missão. 2 meses depois a tia descobriu que estava com câncer, faleceu em 2 meses, no mesmo momento que a mãe descobriu que estava com o mesmo tipo de doença, foi levada tão rapidamente quanto a tia. Um alívio veio semanas depois, a notícia de uma gravidez, mas a boa nova se tornou dor logo logo, pois ela também perdeu o bebê.

A cuca pifou, ela não aguentou. Tudo junto. Quem aguentaria???? Se Entristeceu, deprimiu, sofreu. Se fechou em copas, precisou de ajuda médica. Aos poucos se recuperou. Viajou por 6 meses para esquecer, foi ser chique na Suiça, voltou sorrindo, quase me convencendo que estava feliz. Mas…

“Tudo o que você precisa é de um lindo sorriso para esconder sua alma machucada. Assim, ninguém vai perceber o quão mal você está.” – Robin Williams (1951-2014).

Eu sabia que não estava tudo ok. Nossas conversas eram intermináveis. Mas, um dia de cada vez, ela ia voltando. Um dia ela me ligou chorando, precisava de uma advogada. Tinha sido afastada de sua filha numa atitude vil e covarde de seu ex-marido. A Alegação? Que uma pessoa deprimida não teria condições de cuidar de uma criança. Mas ela só queria visitar! Ela sabia que precisava ainda de tempo para se recuperar. Esse direito lhe foi negado. Ele não queria deixar que ela visse a menina até que o médico lhe desse alta. Mas minha gente, depressão não é um botão de liga e desliga. Quanto mais a gente está na areia movediça, mais difícil de sair dela. E a areia movediça que a consumia, era muito densa, ela ia precisar de tempo para sair completamente limpa daquela armadilha do destino.

Consegui a advogada e liguei de volta. Era uma quinta antes do carnaval e Cris não me atendeu. Julguei que ela já havia viajado para tentar amenizar a dor dela, curtir o carnaval. Julguei!

O carnaval passou. Eu deixei recado malcriado pelo skype, pelo orkut, pelo face, pelo twitter, celular…

Julguei que ela estivesse com problemas comigo (!!!) ou que talvez ainda estivesse embalada com o pós carnaval… Novamente eu julguei!

Dias depois eu dirigia para um cliente, meu caminho foi interrompido por uma notificação no celular. Era do facebook. A irmã da Cristiane avisando que ela tinha tirado a sua vida na quarta feira de cinzas. Encostei o carro e não consegui mais dirigir. Travei na entrada da ponte Rio-Niteroi, sem forças para continuar. Lembro que algum funcionário meu foi me ajudar e me levou em casa. Não lembro direito. De repente, tudo ficou cinza para mim.

Cara, como eu chorei! Chorei muito! Como a culpa me invadiu. Como eu não pude interpretar que ela precisava de mais ajuda que eu consegui dar? Como eu pude deixar que isso acontecesse? Pior, como eu pude julgar!!!!!!!!

A culpa me consumiu por um bom tempo. Até hoje, na verdade. Durante quase 2 anos eu sempre enviava mensagens para ela pelas redes sociais. Dizia que sentia falta dela, que ela tinha sido uma palhaça por ter feito o que fez. Tentava, em vão, convencê-la que eu estava ali para oferecer toda a ajuda possível. Mas ela não me escutava mais.

Ela se foi em Março de 2011. Desde então, duas coisas me fazem muito mal: Julgar e ser julgada.

NÃO JULGUE!

Ninguém jamais saberá integralmente os seus problemas. Ninguém vive a sua vida, não habita na sua cabeça e nem sabe quais foram as experiências que te trouxeram até aquele ponto.

Muitas pessoas se afastam desnecessariamente de pessoas queridas por julgamentos errados. Julgamentos que magoam e que muitas vezes são frutos de uma imaginação nada gentil acerca do próximo.

Ta com dúvida, pergunte. Ta com problema, exponha. Tem alguém precisando de ajuda, se entregue.

A vida já é uma bosta. Se a gente não faz por onde levar algo bom para o próximo, onde vamos parar? No esgoto????

Ou será que viveremos de culpas que não teremos mais como resgatar, entrando num ciclo vicioso de dor e arrependimentos, que nos entristecerão e nos levarão a dores tão grandes que nosso peito um dia poderá não mais aguentar.

Cris, hoje eu precisava de você. Ia te ligar e íamos chorar e rir por horas como fazíamos sempre. Espero que você esteja bem. Miss you, dear. ❤