Mês: julho 2017

Por que ter um cachorro foi uma das decisões mais acertadas da minha vida?

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Quando criança e adolescente sempre enchi o saco dos meus pais para ter um cachorro. Eles nunca permitiam. Principalmente meu pai, que dizia que ia sobrar para ele, que a casa ia ficar fedendo, que não iríamos cuidar nem dar banho, que cachorro sujava, comia coisas e etc…

Mas, um dia minha irmã teve um problema de saúde sério e, logo depois de sua recuperação, minha mãe, contra a vontade de meu pai, trouxe para casa um filhote mini de poodle. Era champagne e tão pequena que escondemos numa caixa de sapato para meu pai não ver quando chegasse em casa. Mas minha avó já tinha passado o bizu para ele. Ele chegou já procurando o bichinho… Achou no cantinho da varanda dentro da caixa… Já foi falando que queria “aquilo” fora de casa no dia seguinte. Minha mãe mais que rapidamente inventou que estava cuidando para uma amiga e que ela viria buscar em 10 dias. 10 dias!!!! Tempo suficiente para meu pai não quisesse mais ela. rsrsrs Não a quisesse mais longe dele.

Óbvio que ele estava certo. Sobrou para ele. Banho, limpeza, comida…

Como me casei cedo, a Shaika ficou com minha irmã até sua partida bemmmm velhinha.

Bom… como a vida é cíclica, meus filhos quando pequenos sempre pediam um cachorro. E eu, como aprendi com meu pai, dizia as mesmas frases: “Vai sobrar para mim. Cachorro faz sujeira, faz caquinha, deixa a casa fedendo e etc”.

Meu filho foi diagnosticado como autista quando tinha 8 anos e TODOS os especialistas diziam que ter um cachorro era maravilhoso para crianças com vários distúrbios, especialmente os autistas. E eu sempre no mesmo discurso… De jeito nenhum!

Para encerrar o assunto, conjuguei a minha alergia ao discurso para dificultar a argumentação de todos. Era verdade a alergia, o pelo me deixava espirrando pacas. Assim, a pressão diminuiria para o meu lado e ninguém me perturbaria mais com isso.

Mas, um dia, (talvez estivesse de TPM pois estava sensível demais) vi um vídeo de uma criança autista sendo tirada da crise por um Rottweiler. No mesmo dia comecei a minha busca pelo cachorro perfeito para tirar minha culpa… Quantas crises fortes do meu filho eu teria evitado com um cachorro? Com certeza isso eu nunca saberei.

O fato é que saí para trabalhar e, sem falar para ninguém, voltei para casa com um cachorro.

Quando estava chegando em casa, liguei para as crianças e as perguntei se eles fariam qualquer coisa para ter um cachorro, ao que a resposta obviamente foi com gritos entusiasmados de SIMMMMMMMMM… Pedi então que eles fossem para a garagem com material de limpeza.

Quando cheguei estavam os 2 com vassouras, panos, veja e etc me esperando. Quando saí do carro e tirei aquele pingo de cachorro do carro todo sujo de coco e vômito, só ouvia os gritos dos dois de felicidade. Simplesmente peguei o pequeno cachorro e subi enquanto os dois limpavam o meu carro. Fui limpar o cachorro também daquela imundice.

Lógico que, como aconteceu com meu pai, sobrou para mim. Logo, ela (é uma Labrador fêmea) se tornou meu rabo. Me acompanha onde eu vou, até no banheiro. Logo eu, que sempre precisei estar só no banheiro, agora tinha companhia para número 1, 2, 3 ou infinito.

Meu filho, coincidentemente ou não, nunca mais teve crise forte. Todo dia quando chega da escola, passa de 15 a 20 minutos sentado no chão da sala com ela. Se entendem. É o momento que ele sai da agitação da rua, da escola, para readequar a sua energia, se acalmar e se reequilibrar.

Minha filha faz dela gato e sapato, agarra, puxa, beija… e a bicha sempre na maior paciência do mundo.

Como tudo na vida, tem seu custo. Manter um cão é caro! Ela teve doença do carrapato e 3 meses depois reincidiu. Quase morreu e eu quase morri junto. Gastei o que podia e o que não podia para não perdê-la.

Minha casa teve vários objetos roídos: parede (!), mesa, cadeiras, roupas, chinelos, sapatos, dinheiro e até certidão de nascimento, afora as contas que ela comeu. A raiva passa logo que você começa a brigar e olha aquela cara linda de culpa máxima… Aquele olhar de coitada, que fez sem querer… Aquela lambida de desculpas. Pronto, acabou a raiva.

Mas, sabe o que é não se sentir só? Sabe aquele ser que entende quando você está triste, que faz besteira para chamar sua atenção quando você entra no seu mundinho… que odeia quando você pega o telefone. Ela, com aquela patona me dá patada na mão, muitas vezes deixando cair meu celular, para mostrar que está ali, que precisa de atenção…

Me acorda todo dia as 6 da manhã me pedindo carinho e me dando muito amor. Me acompanha no café da manhã e em tudo o que eu faço. Não me deixa só.

Eu chego em casa e a felicidade dela me deixa pensar que a minha importância para ela é infinita.

Com certeza me prende em certas coisas. Sei que ela está me esperando em casa, sei que ela vai ficar apreensiva se eu não chegar. Mas, e daí que eu não fique tanto mais na rua. O amor está me esperando em casa. Vai me fazer rir. Vai me fazer me sentir importante. Vai me dar trabalho, mas também vai me dar muito carinho quando eu estiver triste.

Realmente, sobrou para mim… Sobrou para mim descobrir a felicidade de ter um cão! ❤

PS: Minha casa não fica fedendo, descobri um produto maravilhoso que tira todo e qualquer cheiro de cachorro de casa. Além disso adestrei meu bebê e ela só faz as necessidades dela num “pinico” que fica na varanda. Nem dá muito trabalho para limpar e mantém dentro de casa sem nenhum vestígio de dogs. Pelos são inevitáveis. Vc acaba se acostumando, tem fases que cai bem pouco e também tem uma super escova que reduz significativamente a queda. Tudo tem jeito!

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